Essa tendência foi impulsionada pela sanção do Projeto de Lei Combustível do Futuro, em 2024, que regulamenta e cria programas de incentivo à produção e ao uso de fontes de energia alternativas e afeta diretamente a operação dos postos em todo o país.

A legislação estabelece novos percentuais mínimos e máximos para a mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel comercializado em todo o país. O percentual de etanol anidro na gasolina foi elevado de 22% para 27,5%, enquanto a mistura de biodiesel no diesel passará de 14% para 15%. Previsto para 1º de março, o aumento do biodiesel foi temporariamente suspenso pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) – colegiado ligado ao Ministério de Minas e Energia (MME) – para conter a alta dos preços dos alimentos no Brasil.

Por outro lado, o Ministério de Minas e Energia aprovou, em dezembro de 2024, o aumento da mistura de etanol na gasolina para 30%, e o novo combustível –  chamado de “E30” – pode chegar às bombas dos postos de abastecimento já em abril. Além disso, a nova legislação prevê uma evolução gradual das misturas, permitindo que o etanol chegue a 35%, e o biodiesel, a 25%, a depender de decisão futura do CNPE.

Essas mudanças trazem desafios significativos para os setores automotivo e de combustíveis, especialmente para os postos, que podem enfrentar impactos na logística, na operação e nos sistemas metrológicos, além de afetarem os preços e aumentarem o risco de fraudes. Diante desse cenário, é fundamental que revendedores e proprietários de postos estejam atentos às novas exigências do mercado, de modo a preservar a conformidade e a qualidade dos combustíveis oferecidos aos consumidores.

COMBUSTÍVEL RENOVÁVEL

O governo brasileiro, por meio do CNPE, define a proporção de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel com objetivos estratégicos, ambientais e econômicos. Essa atribuição foi transferida ao colegiado em 2022. Produzido com base em óleos vegetais ou gordura animal, o biodiesel tem sido cada vez mais adicionado ao diesel tradicional devido à sua baixa emissão de carbono. A porcentagem tem aumentado
substancialmente ao longo dos anos, tendo passado de 2%, em 2005, para 13%, em 2021. A previsão é que haja aumentos anuais de 1 ponto percentual até atingir 20%, em março de 2030, conforme prevê o Projeto Combustível do Futuro.

Ao mesmo tempo, o Brasil tem se consolidado como um dos maiores produtores de etanol do mundo, utilizando principalmente cana-de-açúcar e – em menor escala – milho como matérias-primas. A Lei do Combustível do Futuro estabeleceu que a mistura de etanol anidro na gasolina, até então entre 18% e 27,5%, poderá variar de 22% a 35%, com um percentual-padrão de 27%.

Com foco ambiental, o Combustível do Futuro visa substituir combustíveis fósseis por alternativas sustentáveis nos setores de transporte terrestre, marítimo e aéreo, sendo descrito pelo governo como o maior programa de descarbonização da matriz de transportes e mobilidade do mundo. No entanto, esse movimento também evidencia o fortalecimento da influência política e econômica do setor agropecuário no mercado de combustíveis no Brasil, uma vez que a produção de biocombustíveis depende diretamente de matérias-primas agrícolas.

Segundo dados da ANP, em 2023, a produção de biocombustíveis no país atingiu o maior patamar da história, com etanol e biodiesel somando quase 43 bilhões de litros produzidos, refletindo o crescimento robusto do setor. Embora a adoção de biocombustíveis seja uma tendência global, o Brasil está muito à frente da média mundial no teor da mistura do biodiesel no diesel, ao adotar um patamar mais de duas vezes superior ao estabelecido em outros países.

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CENÁRIO IRREVERSÍVEL

O uso crescente de biodiesel no diesel e de etanol na gasolina tem gerado debates e preocupa do tanto os revendedores de combustíveis quanto os donos de postos. Em episódio do Minaspetro Cast – disponível no YouTube e Spotify – especialistas e profissionais do setor discutiram os desafios envolvidos nas mudanças regulatórias e o impacto dos combustíveis renováveis no mercado brasileiro.

O diretor regional do Minaspetro em Paracatu,  Daniel Kilson, acredita que os revendedores precisam aprender a conviver com as mudanças, em vez de lutar contra elas. “O biodiesel é uma realidade que veio para ficar, e a tendência é continuar a crescer. Por isso, tanto os revendedores quanto os consumidores precisam entender suas características e aprender a conviver com elas, para garantir a boa performance do combustível e a eficiência do sistema”, destaca.

Kilson afirma que o biocombustível traz benefícios por ser uma fonte renovável que reduz a dependência de importação de petróleo no Brasil e, em situações de superávit, até permite a sua exportação. Mas seus efeitos se estendem para outros setores. “Em termos de tecnologia, o Brasil é um líder na produção de biocombustíveis – diferentemente do setor de carros elétricos, no qual ainda não temos uma produção relevante. O biocombustível também estimula a indústria nacional de autopeças, fortalece o agronegócio, especialmente a produção de soja, e até beneficia pequenos agricultores, incentivados por políticas públicas voltadas para o setor”, aponta o diretor da Minaspetro.

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IMPACTO NA REVENDA

Ao mesmo tempo, com a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira, os revendedores de combustíveis enfrentam uma série de desafios técnicos. Segundo Guilherme Paganini – engenheiro mecânico e fundador da Paganini Consultoria Automotiva –, o biodiesel pode ser vantajoso do ponto de vista ambiental, mas traz consigo uma série de problemas mecânicos para as bombas de combustível, que sofrem com a quantidade de água absorvida pelos biocombustíveis, criando condições para a formação de bactérias e corrosão.

“É uma substância que possui uma característica chamada ‘higroscopicidade’, ou seja, tem alta capacidade de absorver água. Quando combinada com o calor gerado pela mecânica, cria um ambiente favorável à formação de bactérias. Além disso, há o processo de oxidação do combustível, o que, ao longo do tempo, causa pequenos danos à mecânica do veículo até que, eventualmente, ela entre em colapso e pare de funcionar”, explica Paganini.
Segundo ele, as bombas de abastecimento podem travar devido à formação de borra e graxa no diesel, o que afeta diretamente o funcionamento dos postos e exige cuidados constantes. Além disso, esses efeitos podem prejudicar componentes críticos dos veículos,
como bombas e bicos injetores.

Kilson relata que, nos últimos anos, no período de aumento gradual da mistura de biodiesel, os postos de combustíveis enfrentaram muitos
problemas, como quebra de blocos e entupimento de filtros, além de inúmeras reclamações de clientes sobre a qualidade do combustível e seu impacto na performance dos veículos. Os postos precisavam arcar com os custos de troca de peças e filtragem das bombas, o que comprometia tanto o funcionamento quanto o rendimento do estabelecimento, gerando insegurança para o setor.

Em 2023, a produção de biocombustíveis no país atingiu o maior patamar da história, com etanol e biodiesel somando quase 43 bilhões de litros produzidos.

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CUIDADO CONSTANTE

Em 2023, a ANP publicou a Resolução 920, que entrou em vigor em setembro daquele ano, com o objetivo de melhorar a qualidade do biodiesel, por meio da exigência de aditivos estabilizantes e antioxidantes. A medida impôs limites mais rigorosos ao uso de contaminantes no produto e estabeleceu especificações físico-químicas detalhadas para sua composição. Além disso, definiu novas obrigações de controle de qualidade para os agentes econômicos envolvidos na comercialização do biodiesel, o que resultou em uma significativa redução dos problemas ocorridos em bombas e componentes veiculares.

Após a implementação das novas normas sobre o biodiesel, houve uma melhora na qualidade do combustível, resultando em menos problemas com bombas. No entanto, a solução não é definitiva. Kilson ressalta que, diante da crescente presença do biodiesel no Brasil, os revendedores precisam se adaptar à nova realidade, redobrando os cuidados.
Segundo ele, os revendedores devem se preparar para a manutenção preventiva, incluindo a troca regular de filtros, a drenagem dos tanques e a limpeza do sistema de combustível. Essas medidas ajudam a evitar falhas em filtros e bombas, especialmente com o aumento do uso do biodiesel. “Manter o tanque um pouco mais cheio ajuda a reduzir a quantidade de oxigênio, o que diminui a oxidação, e evitar a presença de água no tanque também é essencial para combater a proliferação de bactérias”, completa.

Paganini também recomenda a utilização de estabilizadores de diesel para mitigar os efeitos negativos da absorção de água e proliferação de bactérias, garantindo maior durabilidade e eficiência do combustível. Ainda segundo ele, os aditivos devem ser usados na proporção de 1,3 mL por litro de diesel.

Nesse processo, os postos devem lidar com custos adicionais relacionados ao uso de estabilizadores, à manutenção e limpeza dos tanques, o que exige um planejamento cuidadoso para garantir a eficiência e a qualidade do abastecimento, além da rentabilidade financeira do negócio.

Os especialistas também recomendam manter uma comunicação clara com os clientes durante a transição, informando-os sobre as mudanças no combustível e orientandoos sobre como evitar problemas, a fim de minimizar os impactos negativos nos veículos. Paganini ressalta que veículos usados  com menos frequência tendem a enfrentar mais dificuldades com o biodiesel. “Os carros que ficam parados na garagem são os que mais apresentam problemas”, explica.

Kilson observa ainda que a estabilidade do biodiesel ao longo do tempo é baixa. “Ele tende a degradar mais rapidamente, absorve mais água e pode gerar maior contaminação bacteriana, o que resulta em entupimentos nos veículos.” Nesse contexto, ele reforça o papel da ANP e dos sindicatos no monitoramento da qualidade do produto, destacando a necessidade de uma atuação firme ao longo do processo de transição.

Especialistas recomendam manter uma comunicação clara com os clientes durante a transição, informando-os sobre as mudanças no combustível e orientando-os sobre como evitar problemas.

Fonte: https://minaspetro.com.br/

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